quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A Solidão

Hoje foi um dia particularmente agitado no meu trabalho.
Logo pela manhã um senhor entrou no nosso espaço a pedir ajuda, uma vez que estava a sentir-se mal. Parecia muito agitado, levando a mão ao peito constantemente. Ligámos para o 112, alertanto que estavámos, talvez, perante uma situação de enfarte. Os bombeios não demoraram muito a chegar ao local, mas foi o suficiente para eu e as minhas colegas fazermos o nosso diagnóstico: SOLIDÃO. O senhor, com 67 anos, estava a ter uma crise de ansiedade, encontrava-se em pânico total. Chorava, recordava a esposa já falecida e que tanta falta lhe faz, as duas filhas que não privam com ele, que não mostram piedade, nem vontade em falar com aquele homem. Desabafou, chorou, partilhou que não tinha ninguém neste mundo, que não tinha o que comer, que os dias eram passados a comer pão com manteiga e "uma pinga de leite", que os lençóis da sua cama necessitam de ser lavados e não tem quem o faça. Estava debilitado, agitado, gritando que queria ir para o hospital porque lá tratam-no bem, mas que o problema seria quando tivesse de regressar a casa, uma vez que não tinha dinheiro para os transportes. Chocou-me. Fiquei a pensar naquele homem o resto do dia. Não imagino os meus pais a passar por uma situação semelhante. E recordo... recordo o meu avô, que faleceu aos 91 anos e até ao último minuto foi um Rei, teve tudo, em especial o nosso amor e carinho. A solidão mata... cada vez mais e cada vez mais cedo.

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