No último mês fui invadida por uma tristeza infinita. Sinto-me novamente no fundo do buraco. Já vivi isto em tempos e se nessa altura alguém me dissesse que voltaria a sentir o mesmo eu jamais acreditaria. Achei que tinha ficado imune, que nada mais me abalava de maneira tão forte e que as circunstâncias da vida me tinham tornado mais forte, mais mulher, mais madura. Todavia, constato que não é verdade, que continuo frágil, uma menina. Que quero as coisas à minha maneira, sendo que a vida nem sempre realiza os nossos desejos. Sou pouco racional, demasiado emotiva. Acredito nas pessoas, que ainda há pessoas boas, com príncipios e quando dou por mim já estou à beira da desilusão. Dou muito, demasiado e ingenuamente espero receber em troca tudo o que dou. Mas nem sempre os outros têm o mesmo para me dar e aí entra a decepção, a amargura, a falta de confiança, a tristeza. Sinto que tenho de crescer e muitas vezes penso que este é o caminho, cair e levantar, voltar a cair e voltar a levantar. Espero um dia levantar e conseguir manter-me de pé, direita, por mim mesma e sem ajuda de terceiros. E aí, sim, vou atingir a plenitude. Um destes dias, alguém dizia-me "não percebo porque estás assim, tens tudo". Será? Sim, claro que tenho tudo o que é essencial, e acima de tudo estou viva e com saúde para continuar. Mas falta-me tanta coisa, tanta coisa que poderá fazer-me feliz. No final, sinto que não tenho nada.
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